quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A MALA DE HANA - Karen Levine

A mala de Hana


Toda _____________ havia uma nova restrição. Judeus não podiam frequentar o ____________ de diversões. Nem os _____________ de ___________. Nem os parques públicos. Logo, Hana não podia mais ir ao ________________. Até mesmo o _________ em que esquiavam estava proibido. Suas _______________ - todas gentis - no começo também ficaram tão perplexas quanto Hana com as regras. Ainda se sentavam lado a lado na ___________ e aprontavam ____________ juntas dentro da classe e na hora do _______________.

- Ficaremos juntas para sempre, não importa o que aconteça - prometeu Maria, a melhor amiga de Hana. - Não vamos deixar que ninguém nos diga com quem vamos _________!

Mas, aos poucos, conforme os ________ se passavam, todas as _________ de Hana, inclusive Maria, pararam de visitá-la depois da escola e nos _____________________. [...]

Com cada ___________ perdido e cada  restrição, Hana e George sentiam que seu __________ ficava um pouco menor. Eles estavam __________. Eles estavam tristes. E estavam frustrados.

- O que podemos fazer? - perguntavam aos pais. - Para onde podemos ir?

Mamãe e papai fizeram o seu melhor para __________ as crianças, para ajudá-las a descobrir novas ______________.

- Nós temos ______________ - disse mamãe -, porque temos um grande ______________. Vocês podem brincar de ____________________. Podem balançar nas ______________. Podem inventar jogos. Podem brincar de ____________ nos depósitos. Podem explorar a ____________ secreta. Adivinhar ______________. Sejam gratos  um pelo outro!

Hana e George eram gratos por terem um ao outro e também por brincarem juntos. Mas isso não aliviava a _________________ de não poderem mais fazer o que faziam antes nem ir àqueles _____________ onde costumavam ir. Num lindo dia de _____________________, quando o ___________ brilhava, os dois sentaram no quintal, entediados, brincando com a grama. De repente, Hana começou a chorar.

- Não é justo! - gritou. - Eu odeio isso! Quero que tudo volte a ser como antes!

Arrancou um punhado de __________ e jogou as folhas no ar. Olhou para o _________. Sabia que ele estava tão triste quanto ela.

- Espere aqui - disse ele. - Eu tenho uma ideia. 

Minutos depois, George estava de volta, com um bloco de papel, uma caneta, uma __________ vazia e uma pá.

- Pra que tudo isso? - perguntou Hana.

- Talvez, se escrevermos todas as coisas que estão acontecendo com a  gente, fiquemos mais aliviados.

- Isso é _____________ - respondeu Hana. - Não vai trazer nem o parque nem a diversão de volta. E não trará Maria de volta.

Mas George insistiu. Ele era, no fim das contas, o irmão mais velho, e Hana não tinha nenhuma outra ideia. Então, nas ____________ seguintes, as crianças derramaram sua infelicidade no ____________. George escrevendo e Hana falando. Fizeram listas das coisas que faziam falta e das coisas que os enfureciam. Fizeram listas de todas as coisas que fariam e de todos os lugares para onde iriam quando aqueles tempos terríveis acabassem.

Quando terminaram, George pegou as folhas de papel, enrolou-as num _________, colocou-as dentro da garrafa e fechou-a com uma _____________. Então, os dois andaram até a casa, parando embaixo do balanço duplo. Ali, Hana cavou um grande _____________: seria aquele seu __________________ da tristeza e da frustração. George colocou a garrafa dentro do buraco e Hana cobriu-a de terra. Quando acabaram, o ________________ parecia um pouquinho mais claro e brilhante, pelo menos naquele dia.

(A mala de Hana - Uma história real. São Paulo: Melhoramentos, 2007)

1) Complete adequadamente as lacunas do texto, com as palavras do Banco de Palavras.

Banco de Palavras

primavera                   lago                    jardim              bobagem
fins de semana           passagem             lugares            parque
campos                       ginásio                    sol                 tubo
recreio                     escola                    tristeza            mundo
esconde-esconde            meses                    charadas           rolha 
colegas            brincar                     detetive                 esconderijo
semana       bravos                               grama               buraco
esporte               distrair                         papel                   árvores
amigo              brincadeiras                     horas
travessuras               sorte                  garrafa
amigas               mundo                        irmão

2) Observe a seguinte frase: "Toda semana havia uma nova restrição." (1º parágrafo).
a) O que significa o termo destacado? 
b) Que restrições eram essas?

3) No 1º parágrafo do texto, há referência a um esporte. Que esporte é esse? Como ele é praticado?

4) Observe a seguinte passagem do texto: "Suas amigas - todas gentis - no começo também ficaram tão perplexas quanto Hana com as regras." (1º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo o termo destacado por um sinônimo. Faça as alterações necessárias.

5) O texto relata a história de dois irmãos, Hana e George, que viviam na Tchecoslováquia (atual República Checa), durante a Segunda Guerra Mundial. No começo do texto, somos informados que restrições foram impostas aos judeus, quando as tropas alemãs invadiram o país. Com base nisso, responda:
a) Os amigos e colegas de Hana e George também eram judeus? Comprove com um trecho do texto?
b) A melhor amiga de Hana, Maria, fez uma promessa. Que promessa foi essa? Ela foi cumprida? Comprove com um trecho do texto.

6) Por que Hana e George se sentiam bravos, tristes e frustrados?

7) Procure no dicionário o significado do termo "frustrados" e reescreva a frase abaixo, substituindo esse termos por um sinônimo.
"E estavam frustrados." (4º parágrafo)

8) Segundo a mãe das crianças, eles tinham sorte porque tinham um grande jardim. Explique, levando em conta o contexto, por que ela afirma isso.

9) Observe a frase: "Num lindo dia de primavera, quando o sol brilhava, os dois sentaram no quintal, entendiados, brincando com a grama."(8º parágrafo). Procure o significado do termo destacado e reescreva a frase, substituindo-o por um antônimo.

10) Explique, com as suas palavras, a seguinte passagem do texto: "Então, nas horas seguintes, as crianças derramaram sua infelicidade no papel, George escrevendo e Hana falando." (16º parágrafo). 

11) O que as crianças escreveram no papel?

12) Pelo que, Hana e George deveriam ser gratos?

13) Observe a seguinte passagem: "[...] todas as colegas de Hana, inclusive Maria, pararam de visitá-la depois da escola e nos fins de semana." (3º parágrafo). A qual termo o pronome destacado está se referindo?

14) Reescreva as frases abaixo, substituindo as expressões destacadas pelos pronomes adequados.
a) "Mamãe e papai fizeram o seu melhor para distrair as crianças [...]" (5º parágrafo).
b) "Podem inventar jogos." (6º parágrafo).
c) "Adivinhar charadas." (6º parágrafo).
d) "Então, nas horas seguintes, as crianças derramaram sua infelicidade no papel, George escrevendo e Hana falando." (16º parágrafo)."

15) Identifique a que palavras os pronomes destacados nos trechos abaixo se referem:
a) "Quando terminaram, George pegou as folhas de papel, enrolou-as num tubo, colocou-as dentro da garrafa e fechou-a com uma rolha."
b) "George colocou a garrafa dentro do buraco e Hana cobriu-a de terra."


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Os ingratos e egoístas que me perdoem, mas generosidade é fundamental (Sílvia Marques) - Atividades para o Ensino Médio

OS INGRATOS E EGOÍSTAS QUE ME PERDOEM, MAS GENEROSIDADE É FUNDAMENTAL


Os ingratos e egoístas que me perdoem, mas generosidade é fundamental. Meu texto não apresenta nenhum viés religioso porque a generosidade não é exclusividade daqueles que professam uma fé em uma força superior e frequentam um culto. A generosidade é um atributo humano que pode ser expresso por pessoas de todos as faixas etárias, etnias, credos e níveis sociais.

Ser generoso não significa necessariamente sair pela cidade distribuindo sopa à noite. Embora tal gesto expresse uma grande generosidade, existem muitas maneiras de uma pessoa ser generosa. O trabalho voluntário é a mais emblemática de todas, mas podemos ser generosos diante das mais variadas pessoas e situações do nosso cotidiano. Às vezes, um gesto muito pequeno e simples, aparentemente sem importância, pode indicar o quanto somos generosos ou não.

Ninguém é obrigado a ajudar ninguém. Ninguém é obrigado a oferecer um pouco do seu tempo e da sua energia para ouvir quem está triste, para prestar gratuitamente algum tipo de serviço para alguém necessitado. Porém, se todas as pessoas se fechassem no seu quadrado e olhassem apenas para o próprio umbigo, considerando apenas as suas necessidades, o mundo estaria ainda mais caótico do que já está.

Se não houvesse gente se envolvendo nas mais variadas causas, se não houvesse gente que se dispusesse a ser gentil e prestativo com os vizinhos, colegas de trabalho, amigos, se não houvesse gente capaz de dispor um pouco do seu conhecimento a favor de outras pessoas, se não houvesse gente que perguntasse "Tudo bem?" disposto a ouvir um longo relato, o mundo seria ainda pior, com mais sofrimento, com mais abandono.

Não querer ajudar, não querer se envolver, tudo bem. É uma escolha. É um direito. Porém, negar o valor e a importância de quem ajuda, de quem se importa, de quem se envolve, desmerecendo as pessoas que saem da zona de conforto para contribuir, nem que seja com o vizinho ou com o melhor amigo, é uma atitude maldosa. As relativizações existem, mas há um limite para tudo: dizer que ser egoísta é bom, é querer tapar o sol com a peneira. É querer justificar o próprio comodismo e falta de empatia.

Como falei anteriormente, ninguém precisa sair pela cidade distribuindo sopa. Ninguém precisa se filiar numa ONG para fazer o bem. Basta ser carinhoso com as pessoas da família. Basta ser um colega de trabalho solidário. Basta ser uma pessoa que não se afasta dos amigos quando estes estão tristes. Basta ser gentil com as pessoas que possuem funções mais humildes na sociedade. Basta dar a passagem para uma pessoa idosa no caixa do supermercado ou dar passagem para alguém que vai comprar apenas um produto enquanto carregamos uma compra enorme. Normalmente as pessoas não param para pensar neste tipo de coisa. Se estamos com 50 produtos num caixa de supermercado, o que custa deixar passar na nossa frente alguém que carrega dois ou três itens?

Enfim, são atitudes bem pequenas que acabam fazendo a diferença. Um sorriso, um bom dia alegre podem parecer coisas desimportantes, mas, muitas vezes, melhoram o dia de uma outra pessoa.

Mas, pior do que o egoísmo simples e puro é a ingratidão. É menosprezar quem nos ajudou, quem nos amparou num momento de dificuldade. Não admitir o mérito de quem nos ajudou, não demonstrar um mínimo de simpatia e consideração por quem nos apoiou é o cúmulo da falta de empatia.

É egoísta e não pretende mudar? Sem problemas. Mas não diga que ser egoísta é uma coisa boa. É uma mentira. É deslealdade intelectual. Mais do que isso: é tentar ultrajar a inteligência alheia.


1) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I – Segundo a autora, a generosidade está intimamente ligada à fé e à prática religiosa.
II – Segundo a autora, a generosidade é intrínseca ao ser humano.
III – O trabalho voluntário é a única maneira de pôr em prática a generosidade.
IV – Se não houvesse pessoas dispostas a ajudar o próximo, o mundo estaria bem pior, de acordo com a autora.
V – Segundo a autora, não querer ajudar alguém é um direito de cada um, mas desmerecer aquele que ajuda o próximo, é um ato de maldade.

a) II, IV e V estão corretas.
b) I e III estão corretas.
c) II, IV e V estão incorretas.
d) Todas estão corretas.
e) Nenhuma está correta.

2) Que palavra foi empregada, no texto, para dizer que o trabalho voluntário é a atividade mais representativa, mais exemplar da generosidade?

3) De que forma a autora caracteriza o mundo, no 3º parágrafo? Baseado no contexto e na realidade em que vivemos, explique essa afirmação.

4) O prefixo -DES acrescenta às palavras um sentido de negação. Transcreva, do texto, 3 palavras que exemplifiquem isso.

5) O prefixo -IN acrescenta às palavras um sentido de negação. Dentre as opções abaixo, assinale a alternativa que exemplifica isso:
a) Intelectual 
b) inteligência 
c) ingratos 
d) indicar

6) Segundo a autora, o que é pior que o egoísmo? Por quê?

7) Encontre, no texto, sinônimos para as palavras abaixo:
a) Merecimento:
b) Tendência, natureza:
c) Diminuir, desmerecer:
d) Ofender. Insultar:

8) Observe a frase: “Os ingratos e egoístas que me perdoem, mas generosidade é fundamental.” (1º parágrafo). O termo destacado estabelece entre as orações uma relação de:
a) Explicação 
b) Oposição 
c) Adição 
d) Conclusão 
e) Alternativa

9) Observe a frase: “Embora tal gesto expresse uma grande generosidade, existem muitas maneiras de uma pessoa ser generosa.” (2º parágrafo). O termo destacado estabelece entre as orações uma relação de:
a) Concessão 
b) Tempo 
c) Finalidade 
d) Modo 
e) Causa

10) Observe a frase: “Ninguém é obrigado a oferecer um pouco do seu tempo e da sua energia para ouvir quem está triste, para prestar gratuitamente algum tipo de serviço para alguém necessitado.” (3º parágrafo). O termo destacado estabelece que tipo de relação entre as orações?

11) Observe a frase: “Porém, se todas as pessoas se fechassem no seu quadrado e olhassem apenas para o próprio umbigo, considerando apenas as suas necessidades, o mundo estaria ainda mais caótico do que já está.” (3º parágrafo). Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a relação estabelecida pelos termos destacados:
a) Oposição e condição.
b) Oposição e explicação.
c) Explicação e condição.
d) Condição e oposição.
e) Oposição e oposição.

12) Observe a frase:Meu texto não apresenta nenhum viés religioso porque a generosidade não é exclusividade daqueles que professam uma fé em uma força superior e frequentam um culto.” (1º parágrafo). Os pronomes destacados classificam-se, respectivamente, como:
a) Indefinido – possessivo – demonstrativo
b) Possessivo – demonstrativo – demonstrativo
c) Possessivo – indefinido – indefinido
d) Indefinido – possessivo – indefinido
e) Possessivo – indefinido – demonstrativo

10) Classifique os pronomes destacados nas frases abaixo em Pronome Adjetivo (PA) ou Pronome Substantivo (PS).
a) “Os ingratos e egoístas que me perdoem, mas generosidade é fundamental.” (1º parágrafo)
b) “Ninguém é obrigado a ajudar ninguém.” (3º parágrafo)
c) “Porém, se todas as pessoas se fechassem no seu quadrado [...]” (3º parágrafo)

11) Reescreva as frases abaixo, substituindo as expressões destacadas pelos pronomes adequados:
a) Não é necessário frequentar o culto para ser generoso.
b) Fomos distribuir a sopa para os moradores de rua.
c) É preciso envolver as pessoas em causas sociais.

12) Observe a frase: “Como falei anteriormente, ninguém precisa sair pela cidade distribuindo sopa.” (6º parágrafo).
a) Nessa frase, foi omitido um pronome. Que pronome é esse e como ele se classifica?
b) A qual pessoa do discurso ele se refere?
c) Reescreva a frase, empregando a 1ª pessoa do plural.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

RIO OLÍMPICO. SEJA BEM-VINDO. SE CONSEGUIR SOBREVIVER - Mônica Rauof El Bayed - Atividades para o Ensino Médio

Rio Olímpico. Seja bem-vindo. Se conseguir sobreviver

Um grupo de meninos se aproxima com pressa. Soltos e sós na noite fria. Traçam planos, nota-se bem. Um frio de dar pneumonia em pinguim. Eu com dois casacos. Eles de bermuda, camisa e chinelo. 

O olhar de quem encara um pobre como se fosse fera, magoa a alma de quem é olhado. Os alunos me ensinaram. Não olho. Não encaro. Não me encolho. Nem respiro. Apenas aguardo o desfecho. 

Passaram direto por mim. Apenas meninos. Crianças desesperadas de frio. Invadiram a loja aberta. Agarraram edredons. Rápidos. Experientes. Inocentes. Correram crentes que daria certo. Não deu. 

Edredom não é cordão de ouro que cabe na boca, na bermuda, na cueca. Onde esconder um edredom? Como escapar discreto com um pacote enorme embaixo do braço? 

Perseguidos pelos seguranças, largaram tudo pelo caminho. Aquela noite, na rua ou na comunidade, não ia ser melhor que as outras. Tremeriam de frio mais uma vez. 

Já se imaginou com frio sem cobertor? Com fome sem alimento? Com dor sem direito à saúde? Esse é o Rio Olímpico. A verdadeira Terra dos meninos perdidos. 

Nossos meninos, nossa promessa de futuro, morrem sem presente e matam em cada esquina. Roubam, sim. E são roubados em sua dignidade. Em seu direito à saúde, à segurança, ao conforto, a uma vida melhor. 

Na Terra dos meninos perdidos não temos fada, nem Peter Pan. Pó mágico de pirlimpimpim, esse temos. Muitos vendem. Outros são usuários. Voam na triste ilusão de poder. 

Mas o poder real não sai nunca das mesmas mãos. A mão dos Capitães Ganchos. Cruéis. Desumanos. Sentados em seus tronos. Desprovidos de alma e de culpa. Nunca sentiram frio. Nunca sentiram nada. Mandam como mandam os que só viveram em poder. Nunca em falta. 

Já se imaginou sem direito a nada? Largado como traste, sem segurança, sem estudo, pronto a ser morto na próxima esquina ou viela? Meninos pobres, policiais a serviço ou não são caçados por bandidos, pedestres ou motoristas. 

Morremos como moscas. Sem tempo nem de virar notícia. Nunca se viu tantas mortes assim. Por falta absoluta de uma política de segurança séria. Largados à sorte e ao Deus dará. Triste. Esse é o Rio Olímpico. Coloque seu colete à prova de balas. Seja bem-vindo, se conseguir sobreviver. 

Estamos todos à deriva. A calamidade pública já vigora por aqui há bastante tempo. Estado dá isenção fiscal para ricos. E os trabalhadores ficam sem seus salários. Humilhados em seus direitos mais básicos. Lutar por seus direitos, veja só, aqui virou abuso. Achei que abuso fosse não pagar quem trabalha. 

Escolas são assaltadas. A escola João Kopke, dia treze de junho, foi invadida por ladrões. Professores e alunos na mira de revólver. Levaram pertences de alunos e professores. Este mês, uma professora foi baleada no estacionamento da FAETEC. Não há porteiros, não há segurança. Só descaso. 

As turmas são enormes. As escolas caem de podre sem cuidados básicos e manutenção. O salário de muitos funcionários públicos da educação, da saúde e da segurança só desvaloriza. Não é reajustado há anos. 

A saúde não tem leitos, nem remédios. Pessoas agonizam pelo chão. Mas nem ouse pensar em morrer. O IML também não tem condições de te receber por lá. No Rio Olímpico você não tem onde cair morto, literalmente. 

Rio Olímpico é só para fortes. Você tem que ser atleta para sobreviver. Saltar as crateras das ruas e estradas. Correr dos tiroteios a qualquer hora do dia, como se fosse uma oferta relâmpago. Pular de UPA em UPA até conseguir atendimento. Lutar, em estilo livre, para conseguir entrar em trens e metrôs. Driblar credores com um salário que não tem dia para cair no banco. 

Só para encerrar, me diga: qual a semelhança entre a escola pública e a ciclovia Tim Maia (aquela que caiu)? Sabe? Eu te digo. 

As duas deveriam ser fonte de prazer, saber e acesso. Mas viraram triste palco de tragédias. Uma feia escultura reflexo dos descasos e desmandos a que somos submetidos. 

As duas deveriam nos mostrar um lindo horizonte. Mas vêm desmontando por absoluta falta de cuidado com o dinheiro do povo, com a falta de seriedade dos governantes, com a certeza de impunidade que reina por aqui. Às duas faltou a base necessária para ficar em pé. 

Às duas a sustentação correta foi sonegada. Ignorada. Ambas foram e têm sido encaradas na base do “faz qualquer coisa aí que serve”. Para o povo qualquer coisa serve. Sem seriedade, sem capricho, sem preocupação. 

Deu errado? Na ciclovia, a culpa é do mar. Esse insensível que resolveu ter ressacas. Um absurdo. Nas escolas, a culpa é dos professores. Esses insensíveis que querem receber para trabalhar. Uns loucos que lutam por uma educação de qualidade. Um absurdo. 

O mar, como os professores, só causa transtorno! Os professores, esses insanos, ousam se interessar pelo outro. Alimentam sonhos de um mundo melhor. De direitos para todos. Eles sabem que só a educação abre caminho para a verdadeira democracia. Para o respeito, para novos desafios. 

O mar é perigoso. Os professores também. Esses perigosos sabem que é preciso reagir. Mesmo no meio do caos, da calamidade pública, os professores são como o mar. Sempre e sobretudo fonte de vida, de beleza, de saber. Fonte de ressacas e de grandes navegações. 

Não se calem mesmo, professores. Para esses meninos pobres vocês são a única grande esperança. Eles precisam de vocês para ocupar suas escolas, seus pensamentos. Povoar suas esperanças de alcançar uma vida melhor. 

Lutar por um mundo mais justo, essa é a verdadeira olimpíada. Sobreviver ao triste Rio Olímpico, essa é a modalidade mais importante. O povo que faz o melhor possível, mesmo com o descaso com que são tratados, esse é o verdadeiro herói. Os verdadeiros atletas olímpicos são os que lutam, apesar de tudo e de todos, para botar comida na mesa. 

O ouro é de vocês.

1) No título, a autora sugere uma condição. Que condição é essa e, por que, na sua opinião, ela afirma isso?

2) Que frase a autora utiliza para reforçar que a noite estava realmente fria?

3) No segundo parágrafo do texto, a autora faz uma comparação. Que comparação é essa e o que, na sua opinião, ela sugere?

4) Observe a seguinte passagem do texto: "Rápidos. Experientes. Inocentes." (3º parágrafo). Experientes em quê?

5) A partir da leitura do texto, somos informados a respeito da profissão da autora. O que ela faz? Comprove com um trecho do texto.

6) A autora faz alusão a um famoso conto infantil para ilustrar o seu texto. 
a) Que conto é esse?
b) Explique a seguinte passagem do texto: "Esse é o Rio Olímpico. A verdadeira Terra dos meninos perdidos." (6º parágrafo).
c) Ao que a autora se refere, no seguinte trecho: "Pó mágico de pirlimpimpim, esse temos." (8º parágrafo)
d) Na frase: "Mas o poder nunca sai das mesmas mãos. A mão dos Capitães Ganchos." (9º parágrafo). Quem são os "Capitães Ganchos" citados pela autora?

7) O prefixo -DES acrescenta às palavras um sentido de negação. Transcreva, do texto, 3 palavras que exemplifiquem isso

8) Explique o que a autora quis dizer com a frase: "Estamos todos à deriva" (12º parágrafo).

9) Resumidamente, aponte os problemas levantados pela autora, quanto à educação, à saúde e à segurança pública.

10) A autora, em diversos trechos do texto, emprega a ironia. Transcreva frases do texto que exemplifiquem isso.

11) Segundo a autora, quais as semelhanças entre a educação e a ciclovia Tim Maia, que desabou, recentemente, no Rio de Janeiro?

12) O prefixo -IN acrescenta às palavras um sentido de negação. Transcreva, do texto, 3 termos que exemplifiquem isso:

13) Qual é, segundo a autora, o item fundamental para que a democracia funcione?

14) No texto, a autora cita algumas modalidades olímpicas. Que modalidades são essas e ao que a autora as relaciona?

15) De acordo com a autora, quem são os verdadeiros heróis olímpicos e por quê ela afirma isso?

16) "No Rio Olímpico você não tem onde cair morto, literalmente."(15º parágrafo). Por que o termo destacado na frase é importante para a compreensão da afirmação feita pela autora, anteriormente? 

17) Observe a frase: "Um grupo de meninos se aproxima com pressa." (1º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo a expressão destacada pelo pronome pessoal adequado, empregado na 3º pessoal do plural. Faça as alterações necessárias.

18) No seguinte trecho, foi omitido um pronome: "Não encaro. Não me encolho. Nem respiro." (2º parágrafo). 
a) Que pronome é esse e como ele se classifica?
b) A que pessoa do discurso ele se refere?

19) "Muitos vendem. Outros são usuários." (8º parágrafo). Como se classificam os pronomes destacados?

20) Em que pessoa do discurso estão conjugados os verbos destacados, nas frases abaixo? Em seguida, indique qual é o pronome pessoal relativo a cada um.
a) "Passaram direto por mim." (3º parágrafo).
b) "Apenas aguardo o desfecho." (2º parágrafo).
c) "Morremos como moscas." (11º parágrafo).
d) "Estamos todos à deriva." (12º parágrafo).
e) "Sabe?" (17º parágrafo).

21) Reescreva a frase abaixo, empregando os pronomes solicitados. Faça as alterações necessárias.
"Eles sabem que só a educação abre caminho para a verdadeira democracia."(22º parágrafo)
a) Pronome pessoal reto - 1ª pessoa do singular:
b) Pronome pessoal reto - 2ª pessoa do singular.
c) Pronome pessoal reto - 3ª pessoa do singular:
d) Pronome pessoal reto - 1ª pessoa do plural:

22) Assinale a alternativa que corresponde à relação estabelecida pelos termos destacados, nas frases abaixo:
a) "Tremeriam de frio mais uma vez."
(    ) Explicação          (    ) Conclusão       (      ) Causa

b) "Mandam como mandam os que só viveram em poder".
(    ) Finalidade           (    ) Causa              (      ) Comparação

c) "O povo que faz o melhor possível, mesmo com o descaso com que são tratados, esse é o verdadeiro herói." 
(    ) Concessão         (     ) Conclusão       (       ) Consequência

d) "Eles precisam de vocês para ocupar suas escolas, seus pensamentos."
(    ) Explicação         (     ) Causa               (       ) Finalidade

e) "Os verdadeiros atletas olímpicos são os que lutam, apesar de tudo e de todos, para botar comida na mesa."
(     ) Concessão e Explicação
(     ) Finalidade e Concessão
(     ) Concessão e Finalidade

Outras atividades com o mesmo texto poderão ser encontradas no blog "Arte & Manhas da Língua", da Andreia Dequinha! Confira:



quarta-feira, 29 de junho de 2016

DE VOLTA À CASA DA VOVÓ SINISTRA - Luciane Raupp - Atividades para o 6º ano

De volta à casa da Vovó Sinistra (*adaptado)
Luciane Raupp

Os primos João Pedro e Gabriela estavam eufóricos: passariam a noite na casa da avó. Isso, por si só, já seria bom, mas tinha mais: aquela Vovó era a mais radical e sinistra que uma criança poderia ter.

As mães de ambas as crianças chegaram ao mesmo tempo à casa da Vovó. Só as largaram lá e saíram apressadas. João Pedro e Gabriela adentraram juntos aquele lindo e original sobrado roxo com bolinhas amarelas. Logo chamaram:

- Vovó, seus netinhos chegaram! – anunciou Gabriela.

- Vovó, estou com fome de pizza! – avisou João Pedro.

As crianças continuaram chamando pela Vovó, mas nada de ela aparecer. Por onde andaria? Foram andando pela casa. Na chão da cozinha, encontraram o seguinte aviso escrito com sal:

VH   TXLVHUHP   YHU   D   YRYR    GH    QRYR,   
WHUDR   TXH    GHVFREULU   TXHP  HOD  H.
D   SULPHLUD  SLVWD   HVWD   QD   
ERFD   GDTXHLE   TXH   QDR   ODYD   R   SH.

Gabriela resmungou um “era só o que faltava”. João Pedro animou-se: era uma caçada. Mas logo depois pensou alto:

- E se a vovó estiver correndo perigo, prima?

- Tá bom, mas depois eu quero uma fatia a mais da pizza de quatro queijos – disse a menina, disfarçando a preocupação. – Por onde começamos?

- Quem é que não lava o pé? O sapo, naquela música boba. Mas onde tem sapo aqui?

Gabriela apontou para cima: em uma prateleira alta, havia uma coleção de sapos. Sapos de barro, de porcelana, de ferro, de vidro, de cristal...

Com ajuda de uma escada, João Pedro examinou a coleção. Na boca de um sapo, havia um papelzinho enrolado. Dentro dele, estava escrito o seguinte:

TXHP  H  D  DYR  YRFHV   SUHFLVDP  VDEHU
H   GH    VHXV   JRVWRV   GHYHP HQWHQGHU
RXFDP   D   PXVLFD   OLKGD   GH   GRHU
XPD   EUDVD, PRUD, GH  EQORXTXHFHU.


- Vamos fuçar naqueles discos da vovó – sugeriu João Pedro.

- Aqueles que ela chama de Vinícius? – perguntou Gabriela.

João Pedro teve um acesso de riso: não era Vinícius. Era vinil. A vó também chamava de bolachões. O que a dupla não entendeu era onde entrava a brasa e onde ela morava.

Junto aos discos – do Roberto Carlos, da Vanderleia, do Renato e seus Blue Caps, entre outros –, havia uma caixa de madeira, fechada com um cadeado de combinação de números. Nele, havia uma etiqueta colada, na qual se lia: 
D  VHQKD   H   R   DQR   GH   QDVFLPHQWR  GD   YRYR.

E agora? Como descobrir? João Pedro teve uma ideia:

- Prima, com que idade as meninas casam e têm bebês?

- Na idade que quiserem, ué. Que pergunta mais boba.

- Tá, mas mais ou menos...

Discutiram, discutiram. Chegaram à conclusão de que, se as mães os tiveram com cerca de 30 anos, e agora a mais velha delas tinha 40... 30 mais 40 é igual a 70. Se a avó tinha 70, a conta era 2016 menos 70, o que dava... 1946. Colocaram o número. Não deu certo. Tentaram 1945. O cadeado abriu.

Dentro da caixa, havia uma coisa muito esquisita, de plástico, retangular, com dois furos pelos quais passava uma espécie de fita marrom. Era mais ou menos assim:
Ilustração de fita K7 com a escrita: “ouça-me se for capaz”.

Como ouvir aquilo? Gabriela balançou o objeto, colocou perto do ouvido. Deveria haver um aparelho para encaixar aqueles dois buracos. Mas onde?

- Que tal aquele? —perguntou João Pedro, apontando para um aparelho retangular com uma tampa móvel. — Tem uma tecla escrito “play”.

Abriram a tampa, fizeram os devidos encaixes e apertaram o play. Do aparelho saiu a voz 
nada melodiosa da avó, que cantava:

QHWLQKRV   TXHULGRV, GR  PHX   FOUDGDR,
D  SURALPD   SLVWD   HVWD   QR  SRUDR
H  GH   LOXPLQDU
FXLGDGR  SDUD  QDR   LQFHQGLDU
QDR   H   ODPDGD,  QDR  H  GD   FLGDGH,
H   GH   TXHURVHQH,  QDR   GH   HOHWULFLGDGH.

E o medo de ir àquele porão? O que se faria com ele? De conta que não existia, ué! As crianças desceram ao porão, mas, claro, ligaram as luzes. Eram tantas coisas diferentes lá: até identificaram uma máquina de escrever, igual à que viram no museu naquela visita com a escola. Mas o que seria aquele objeto de iluminar? Gabriela não tinha certeza, mas só poderia ser aquele de vidro, já que tinha um papel roxo dentro dele. Bingo: acharam mais uma pista, que, em letras prateadas, dizia:

VODFNV,  EULP   FRULQJDV,   MDSRQDV:
VR   RV    QRPHV   H   TXH    VDR   FDIRQDV.
EDWD, UHGLQJRWH, FDUSLP:
WOGR   PXQGR   FKDPDYD    DVVLP.
H   OD   TXH    GHYHP    SURFXUDU   SRU    PLP.


Procurar onde? O que queriam dizer aquelas palavras? Os primos pensaram, pensaram. Lembraram que “cafona” quer dizer brega: já viram isso em uma aula. O que a vovó tinha de mais brega eram roupas. E bem na frente deles havia um enorme baú. Só poderia ser de roupas velhas. Tentaram arrastá-lo para perto da claridade das lâmpadas, contudo pesava demais. Abriram ali mesmo: será que havia outra pista? Tiraram blusas, vestidos – tudo muito colorido e floreado. A cara da vovó! Mas algo se mexeu e gemeu:

- Uhuuuuuuuuuu!

Os primos sentiram um clarão no rosto, que os cegou por um instante. Recobrada a visão, viram a Vovó saindo do baú, rindo e conferindo no seu celular, de última geração, a foto da cara assustada dos netos, anunciando:

- Essa vai para o álbum de família!

1) A criptografia consiste em um conjunto de técnicas - algumas matemáticas - que codificam nossas mensagens de modo que somente quem conhece a chave de decodificação poderá decifrá-las. Um dos métodos mais antigos de criptografia é conhecido como Código de César, nome dado em homenagem ao imperador romano Júlio César (100aC - 44aC), que o utilizava para se comunicar com seus generais.
O Código de César consistia num método de substituição de letras em que cada letra era substituída por outra que estivesse três posições à frente dessa, na sequência do alfabeto.*
Utilizando o código de César, decifre as pistas deixadas pela Vovó Sinistra.

2) Observe a frase: "Os primos João Pedro e Gabriela estavam eufóricos: [...]" (1º parágrafo). Pesquise o significado da palavra destacada e responda:
a) Qual era o sentimento dos primos?
b) Por que eles estavam eufóricos? 

3) Quais características foram citadas em relação à Vovó, no primeiro parágrafo do texto?

4) Na frase: "As mães de ambos chegaram ao mesmo tempo na casa da Vovó." O termo destacado refere-se a quem?

5) De que forma as mães de João Pedro e Gabriela saíram da casa da Vovó?

6) De que forma é caracterizado o sobrado da Vovó Sinistra?

7) Já que você decodificou as mensagens criptografadas no texto, para onde levava a primeira pista deixada na casa? Ao que as crianças associaram a pista deixada?

8) Observe a frase: "Vamos fuçar naqueles discos da Vovó - sugeriu João Pedro." Reescreva a frase, substituindo os termos destacados por sinônimos.

9) Ao procurarem os discos da Vovó, com o que Gabriela confundiu o nome dos mesmos? Por que ela fez essa confusão?

10) Qual foi a próxima senha que eles tiveram que descobrir e como chegaram àquela conclusão?

11) Ao desvendar essa pista, o que eles encontraram? Desenhe esse objetivo conforme a descrição do texto.

12) Observe a frase: "Do aparelho saiu a voz nada melodiosa da Avó, que cantava: [...]". O que o termo destacado sugere a respeito da cantoria da Vovó?

13) Quais itens antigos são citados no texto, que, atualmente, não têm mais utilidade? Pelo que eles foram substituídos?

14) Por que, na sua opinião, as crianças tinham medo de ir ao porão?

15) Observe a seguinte descrição: "Não é lâmpada, não é da cidade / É de querosene, não de eletricidade". Ao que a Vovó se referia? 
a) a uma lanterna.
b) a um lampião.
c) a um abajur.

16) O que, de acordo com os primos, quer dizer "cafona"?

17) Observe o seguinte trecho: "Os primos sentiram um clarão no rosto, que os cegou por um instante." O que foi esse clarão e onde ele veio?

18) Pinte, nas pistas deixadas pela Vovó, as palavras que rimam e crie mais uma rima para cada uma delas.

19) Agora que você já conhece a história da Vovó Sinistra, explique, com as suas palavras, por que ela era chamada assim.

20) Crie um novo final para a história. Imagine que as crianças ainda não encontraram a Vovó e que a última pista os levou a mais uma. Invente, com criatividade, uma nova pista que os direcione para a localização exata da Vovó Sinistra. 

*Fonte: Texto e atividade sobre criptografia adaptados do Fascículo Ler